Hospitais ameaçam romper com IPE Saúde se não forem atendidas novas exigências

Arianne Lima

Hospitais ameaçam romper com IPE Saúde se não forem atendidas novas exigências
Foto: Marcelo Oliveira (arquivo/Diário)

Após uma reunião entre entidades que prestam serviços pelo IPE Saúde a servidores públicos do Rio Grande do Sul, na manhã desta terça-feira, um possível rompimento de contrato pode ocorrer. Segundo informações preliminares, o encontro desta terça-feira buscou tomar uma ‘decisão coletiva’ em resposta as três novas tabelas de remuneração para pagamento dos prestadores de serviço, que entraram em vigor na última quinta-feira e incluem a atualização das tabelas de medicamentos, diárias e taxas hospitalares.

Conforme a assessoria de comunicação da Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes, Religiosos e Filantrópicos do Rio Grande do Sul, que atuou ao lado da Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Saúde do Rio Grande do Sul (Fehosul) nas negociações, na tarde desta terça-feira, um documento foi protocolado pelas entidades na Casa Civil, do Governo do Estado, dando o prazo de 24h para a suspensão das portarias e comunicados sobre as novas tabelas de remuneração.

Caso o pedido não seja atendido, as entidades irão suspender os atendimentos eletivos aos usuários do IPE, mantendo os processos que já estão em andamento e temporariamente, os atendimentos de emergência. Segundo a assessoria da Casa Civil, o documento foi endereçado ao governador do Estado, Ranolfo Vieira Jr, que não estava no local na hora da entrega. Ainda na mesma tarde, o documento foi encaminhado ao Ministério Público.

Por volta das 19h, o Governo do Estado se manifestou por nota, agendando um encontro com os representantes.

Leia na integra:

O governo do Estado agendou reunião com a federação dos hospitais e seus representantes para a próxima sexta-feira (3/6), às 10h, no Palácio Piratini, para avançar na discussão sobre a viabilidade econômica-financeira do IPE Saúde. O governo espera que os atendimentos aos beneficiários do IPE Saúde sigam normalmente até lá.

A nova tabela de medicamentos adotada pelo IPE Saúde, foco de contestação por hospitais, é condizente com as práticas de mercado. O instituto ajustou a valores praticados por outras operadoras. A adoção da tabela própria de medicamentos ocorreu em função de constatação do Ministério Público Estadual de que o IPE pagava mais por determinados itens.

Essa medida, assim como outras que estão em andamento, são necessárias para o reequilíbrio financeiro do instituto, que busca ações com foco na redução do passivo e na qualificação do atendimento aos usuários.

INTERMEDIAÇÃO

Mais cedo nesta terça-feira, um grupo de representantes da Fehosul se encontrou com o presidente da Assembléia Legislativa do Estado, Valdeci Oliveira (PT), para fazer a entrega da minuta e iniciar um diálogo sobre os problemas enfrentados pelos hospitais.

Segundo o presidente da Federação, Cláudio José Allgayer, mesmo sem o reajuste nos valores das diárias e taxas desde 2010, os hospitais seguiram atendendo a população devido ao diálogo que vinha sendo mantido e que, recentemente, foi rompido pela gestão atual. Na ocasião, o Oliveira se prontificou a levar o pleito dos gestores hospitalares ao governo.

–Defendemos que o IPE tenha uma política de estado e não de governo e que seus gestores não sejam trocados a cada administração – argumenta Oliveira.

SANTA MARIA

Negociações entre o Instituto de Assistência à Saúde dos Servidores Públicos do Rio Grande do Sul (IPE) e as instituições de saúde ocorrem desde março deste ano, quando os hospitais ameaçaram romper o contrato com o IPE, em função das dívidas da autarquia e das tabelas desatualizadas. No contexto atual, o convênio atende 980 mil usuários, e em Santa Maria são cerca de 27 mil pessoas que utilizam o serviço.

O documento entregue nesta terça-feira foi assinado por 28 entidades, entre elas, o Complexo Hospitalar Astrogildo de Azevedo, que é uma das prestadoras de serviços ao plano em Santa Maria. De acordo com o diretor técnico do hospital, Luiz Gustavo Thomé, a diretora executiva Angela Perin participou do encontro em Porto Alegre, ao lado de outros representantes.

Por conta disso, a direção do Complexo Hospitalar Astrogildo de Azevedo deve se reunir na manhã desta quarta-feira para definir o posicionamento e as medidas a serão tomados pela instituição.

PLANO

Entre uma das medidas previstas pelo IPE, a partir do plano, está o pagamento extraordinário de R$ 150 milhões para hospitais, clínicas e laboratórios, que teve inicio nesta terça-feira. O valor corresponde a uma parte da dívida da instituição junto aos prestadores do serviço, que é de R$ 600 milhões. Em entrevista à CDN na segunda, o presidente do IPE Saúde, Bruno Jatene comentou sobre os próximos repasses e pediu compreensão às entidades.

por Arianne Lima – [email protected]

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